Vírus é capaz de infectar central multimídia de carros e usar internet do veículo em golpes

Vírus infecta central de carros e usa internet em golpes
Vírus infecta central de carros e usa internet em golpes

As centrais multimídia dos carros estão cada vez mais parecidas com pequenos computadores. Elas podem ter acesso à internet, aplicativos, mapas e até conexão própria de dados. E essa evolução também começa a chamar a atenção dos criminosos.

Pesquisadores da empresa de segurança digital Kaspersky identificaram um caso inédito de malware criado especificamente para infectar centrais multimídia automotivas com Android.

O ataque aproveitava o próprio sistema de atualização do equipamento para instalar o programa malicioso sem que o motorista precisasse clicar em algum arquivo ou autorizar a instalação.

Como o vírus conseguia entrar no carro?

A infecção explorava um aplicativo chamado TWCore, presente nas centrais e responsável por verificar e baixar atualizações de software.

Os criminosos conseguiram manipular esse processo para distribuir um arquivo malicioso aos aparelhos. O programa era instalado de maneira silenciosa e podia funcionar em segundo plano, sem apresentar um ícone ou aviso claro na tela.

Isso torna o caso especialmente preocupante, já que o motorista não precisava baixar um aplicativo suspeito ou clicar em um link para ser atingido.

O que os criminosos faziam com a central infectada?

Segundo a investigação, o objetivo não era necessariamente controlar o volante, freios ou outras funções essenciais do veículo.

Em vez disso, os criminosos queriam aproveitar os recursos disponíveis na central, principalmente o processamento e a conexão com a internet.

Um dos usos identificados era carregar anúncios na internet em segundo plano para gerar dinheiro de maneira fraudulenta.

O carro também poderia ser transformado em uma espécie de proxy, permitindo que outras pessoas utilizassem a conexão do veículo para acessar a internet e esconder a origem de determinadas atividades.

Na prática, o computador do carro passava a trabalhar para os criminosos sem que o proprietário soubesse.

Milhões de veículos podem utilizar a tecnologia

O caso envolve equipamentos fornecidos pela empresa chinesa DoFun, responsável por sistemas de entretenimento e conectividade utilizados em mais de 30 milhões de veículos ao redor do mundo.

Depois de ser informada pelos pesquisadores, a empresa afirmou que corrigiu a vulnerabilidade existente em sua infraestrutura de atualização.

Isso não significa que todos esses veículos tenham sido infectados. O número citado corresponde à quantidade de veículos que utilizam tecnologias fornecidas pela empresa, e não à quantidade de carros comprometidos.

Quais sinais podem aparecer no carro?

Em uma central afetada, o usuário pode perceber alguns problemas durante o uso.

Entre os sinais observados estão:

  • Lentidão na resposta da tela;
  • Travamentos durante o uso de mapas;
  • Maior consumo do pacote de internet do veículo;
  • Comportamentos estranhos em aplicativos ou páginas;
  • Desempenho abaixo do normal da central.

Esses sintomas, isoladamente, não significam necessariamente que o carro esteja infectado. Problemas de hardware, software ou conexão também podem causar comportamentos semelhantes.

Ataque foi associado ao grupo MoYu

A investigação da Kaspersky relacionou a atividade ao grupo criminoso MoYu, que também aparece associado à infraestrutura maliciosa conhecida como BADBOX.

Esse tipo de operação busca transformar dispositivos conectados à internet em máquinas que podem ser controladas remotamente para diferentes atividades criminosas.

O caso das centrais automotivas chama atenção justamente porque mostra como os criminosos estão ampliando o número de dispositivos que podem ser explorados.

Carros conectados também precisam de proteção

O episódio serve como um alerta para uma mudança importante na indústria automotiva.

Carros modernos possuem cada vez mais computadores, sistemas operacionais, conexões sem fio e acesso à internet. Isso traz novas funções e mais comodidade, mas também cria novos pontos que precisam ser protegidos.

Para o motorista, a principal recomendação é manter o sistema do veículo atualizado e seguir as orientações da fabricante para instalação de atualizações.

Também é importante evitar a instalação de programas de fontes desconhecidas em centrais multimídia que permitam esse tipo de procedimento.

Um vírus pode controlar o carro?

Neste caso específico, o objetivo identificado pelos pesquisadores não era assumir o controle da direção do veículo.

O malware explorava a central multimídia para utilizar recursos do equipamento e sua conexão com a internet.

Mesmo assim, a descoberta preocupa especialistas porque demonstra que os sistemas presentes nos carros podem se tornar alvos de ataques digitais, principalmente à medida que os veículos ficam mais conectados.

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