Um novo golpe está usando anúncios em redes sociais para tentar infectar celulares Android. A ameaça, chamada de StreamRat, se passa por um serviço gratuito de streaming e pode dar aos criminosos amplo controle sobre o aparelho da vítima.
A campanha foi identificada por pesquisadores da empresa de segurança ThreatFabric e alcançou cerca de 570 mil contas na União Europeia, principalmente na Espanha. Os ataques aconteceram entre 11 de junho e 3 de julho de 2026 e também tiveram registros no TikTok.
Apesar de utilizar anúncios no Instagram e Facebook como isca, o vírus não infecta o celular simplesmente porque a pessoa visualizou ou clicou na publicidade. O golpe precisa convencer a vítima a baixar e instalar um aplicativo falso.
Como funciona o golpe?
Os criminosos criaram anúncios que divulgavam uma suposta plataforma gratuita para assistir televisão pela internet.
Ao clicar na publicidade, o usuário era direcionado para um site falso, onde encontrava instruções para baixar o aplicativo.
O problema é que o programa não era um serviço legítimo de streaming. Ele escondia o malware StreamRat.
A partir daí, o golpe começava a solicitar uma série de permissões que davam aos criminosos acesso a funções importantes do Android.
Vírus tenta assumir o controle do celular
Depois de instalado, o aplicativo pede para ser definido como a tela inicial padrão do aparelho.
Essa permissão pode dificultar que a vítima consiga simplesmente sair do aplicativo. Ao pressionar o botão de início, por exemplo, o usuário pode acabar sendo levado novamente para a tela controlada pelo programa malicioso.
O malware também solicita autorização para criar uma conexão VPN. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo é utilizado para interromper temporariamente a conexão dos demais aplicativos e dificultar a análise do comportamento malicioso durante o ataque.
A permissão mais perigosa
Um dos principais sinais de alerta aparece quando o aplicativo pede acesso aos Serviços de Acessibilidade do Android.
Essa função foi criada para ajudar pessoas com diferentes necessidades de acessibilidade, mas também pode conceder a aplicativos acesso bastante amplo à interface do celular.
No caso do StreamRat, os criminosos conseguem utilizar essa permissão para observar o que acontece na tela e registrar informações digitadas pelo usuário.
Isso pode incluir senhas, dados bancários e informações de cartões, aumentando bastante o risco de prejuízo financeiro.
Criminosos conseguem controlar a tela à distância
O StreamRat possui recursos ainda mais avançados.
Os pesquisadores descobriram que o malware pode espelhar a tela do celular em tempo real e simular toques remotamente.
Na prática, isso permite que os criminosos interajam com o aparelho como se estivessem utilizando o celular da própria vítima.
Para esconder a atividade, o malware também pode colocar uma tela preta ou mostrar uma falsa mensagem de atualização do sistema.
Enquanto o proprietário acredita que o aparelho está ocupado ou travado, os criminosos podem realizar ações em segundo plano.
O vírus consegue roubar dinheiro?
Esse é um dos maiores riscos.
Como o malware pode observar a tela, registrar informações digitadas e controlar determinadas ações do aparelho, ele pode ser utilizado para tentar acessar contas e realizar operações financeiras.
Por isso, a ameaça é classificada como um Trojan bancário, ou seja, um programa malicioso que possui recursos voltados para roubo e fraude financeira.
Os pesquisadores ainda não divulgaram quantos aparelhos foram efetivamente infectados nem o valor dos prejuízos causados pela campanha.
Ver um anúncio no Instagram significa que seu celular está infectado?
Não.
Esse é um ponto importante.
A simples visualização do anúncio não significa que o aparelho foi infectado. O ataque depende de uma sequência de ações que normalmente começa quando a vítima acessa o site indicado, baixa o aplicativo falso e concede as permissões solicitadas.
Por isso, anúncios suspeitos devem ser tratados com cautela, principalmente quando prometem acesso gratuito a serviços que normalmente seriam pagos.
Como se proteger?
A principal recomendação é evitar instalar aplicativos Android encontrados por meio de anúncios ou sites desconhecidos.
Também é importante prestar atenção às permissões solicitadas durante a instalação.
Um aplicativo que promete apenas reproduzir vídeos, por exemplo, não deveria precisar de acesso amplo aos recursos de acessibilidade do aparelho.
Confira alguns cuidados:
- Evite instalar aplicativos baixados de sites desconhecidos.
- Desconfie de anúncios que prometem serviços gratuitos de forma muito atrativa.
- Não conceda acesso aos Serviços de Acessibilidade sem entender exatamente o motivo.
- Mantenha o Android atualizado.
- Evite desativar mecanismos de segurança do aparelho.
- Confira as permissões concedidas aos aplicativos instalados.
- Nunca informe senhas bancárias ou códigos de segurança em aplicativos suspeitos.
E se eu já tiver instalado um aplicativo suspeito?
Se você instalou recentemente um aplicativo de fonte desconhecida e percebeu comportamentos estranhos, é importante agir rapidamente.
Primeiro, evite realizar operações bancárias pelo aparelho até verificar se ele está seguro.
Também é recomendável revisar os aplicativos instalados e as permissões concedidas, especialmente o acesso aos Serviços de Acessibilidade.
Caso exista suspeita de comprometimento, procure o suporte oficial do fabricante do aparelho ou de um profissional especializado em segurança digital.
Se informações bancárias ou senhas tiverem sido digitadas em um dispositivo possivelmente infectado, também é importante entrar em contato com o banco e alterar as credenciais por um dispositivo confiável.
Anúncios nas redes sociais também podem ser usados em golpes
O caso do StreamRat mostra que criminosos não precisam necessariamente enviar um arquivo diretamente para a vítima.
Eles podem utilizar anúncios aparentemente normais para atrair usuários para páginas falsas e, a partir daí, tentar convencê-los a instalar programas maliciosos.
Por isso, mesmo em plataformas populares como Instagram e Facebook, é importante desconfiar de ofertas boas demais para serem verdade e evitar instalar aplicativos fora de fontes confiáveis.

